Chegou a vacina
A vacina contra a monotonia
a distância social
a máscara na cara
as teorias da conspiração
as medidas de restrição
o estado de emergência
a pandemia
a diferença social
o trabalho remoto
as conversa do zoom
os tiktoks
a quarentena
o isolamento profilático
as zaragatoas
a saudade do abraço
os meses que temos pela frente
os efeitos adversos
os profissionais de saúde cansados
a falta de toque, do beijo
a saudade do contato físico.
A vacina contra 2020.
Querid@, publiquei os drafts.
domingo, 27 de dezembro de 2020
sexta-feira, 25 de dezembro de 2020
Draft #3 [2020] - Pedaços do céu
A música de natal toca no interior das casas. A máscara não saiu à rua nem voou
com vento. Vento, Granizo e Trovoadas. Relâmpagos na Madeira. Tempestade na Madeira (dizem as notícias).
Cai gelo do céu e as famílias fogem da mesa de almoço de natal para observar o gelo cair. Crianças sonham com um Natal branco e a tempestade cai sobre a ilha. A cáscata corre das montanhas da Ponta Delgada e no meio do som da água castanha a correr ouve-se "Fiquem em casa" (dizem as autoridades), mas algumas famílias madeirenses são obrigadas a sair. Desalojadas. Outras famílias não têm para onde ir e ficam apenas a observar sobre uma caixa de cartão ensopada a cidade deserta e o Natal molhado. Alguns km depois, camionistas passam o natal com outros camionistas. Invés de sozinhos em casa, estão Sozinhos fora de casa. Esperam o famoso teste, longe dos seus. Sonham pelo regresso a casa, pelo contato familiar, mesmo que com algumas restrições. Andando um pouco por todo o mundo, em vários kms de terra, muitos sonham com a distribuição das vacinas.
Pfizer ou Moderna? Concordam ou Não concordam? Confiam ou não confiam? Utilizar máscara ou não utilizar? São questões que substituem as perguntas constrangedoras dos jantares familiares.
A pandemia de 2020 quer acabar em grande.
Se é para cairem pedaços do céu, deixem cair apenas sobre a terra.
E que o granizo lave a covid-19. E que os relâmpagos combatam a pandemia.
Cai gelo do céu e as famílias fogem da mesa de almoço de natal para observar o gelo cair. Crianças sonham com um Natal branco e a tempestade cai sobre a ilha. A cáscata corre das montanhas da Ponta Delgada e no meio do som da água castanha a correr ouve-se "Fiquem em casa" (dizem as autoridades), mas algumas famílias madeirenses são obrigadas a sair. Desalojadas. Outras famílias não têm para onde ir e ficam apenas a observar sobre uma caixa de cartão ensopada a cidade deserta e o Natal molhado. Alguns km depois, camionistas passam o natal com outros camionistas. Invés de sozinhos em casa, estão Sozinhos fora de casa. Esperam o famoso teste, longe dos seus. Sonham pelo regresso a casa, pelo contato familiar, mesmo que com algumas restrições. Andando um pouco por todo o mundo, em vários kms de terra, muitos sonham com a distribuição das vacinas.
Pfizer ou Moderna? Concordam ou Não concordam? Confiam ou não confiam? Utilizar máscara ou não utilizar? São questões que substituem as perguntas constrangedoras dos jantares familiares.
A pandemia de 2020 quer acabar em grande.
Se é para cairem pedaços do céu, deixem cair apenas sobre a terra.
E que o granizo lave a covid-19. E que os relâmpagos combatam a pandemia.
domingo, 20 de dezembro de 2020
Draft #2 [sem data] - Mínimo Múltiplo Comum
Falas em desilusões, mágoas, desonestidade.
Separas-te dos teus amigos ou não amigos. Falas em seres divisível.
Dizes que sou igual a (...)
O silêncio põe-me na tua lista. Mas foste tu que perdeste a matemática. Perdeste o 1+1, perdeste o conjunto. E perdeste a português. Porque não sabias a diferença do à/á/há.
Não há razões concretas e, às tantas, perdeste (o passado) e perdes-te (no presente).
Perdes a honestidade, a compreensão e dizes que não fui sincero. Mas depois olho-te nos olhos, e sei que és tu que finges e só pensas em ti.
Vais fingir e mentir a toda a gente, outra e outra vez.
Eu, eu sou Transparente.
Se calhar és tu, o Minimo Múltiplo Comum.
Separas-te dos teus amigos ou não amigos. Falas em seres divisível.
Dizes que sou igual a (...)
O silêncio põe-me na tua lista. Mas foste tu que perdeste a matemática. Perdeste o 1+1, perdeste o conjunto. E perdeste a português. Porque não sabias a diferença do à/á/há.
Não há razões concretas e, às tantas, perdeste (o passado) e perdes-te (no presente).
Perdes a honestidade, a compreensão e dizes que não fui sincero. Mas depois olho-te nos olhos, e sei que és tu que finges e só pensas em ti.
Vais fingir e mentir a toda a gente, outra e outra vez.
Eu, eu sou Transparente.
Se calhar és tu, o Minimo Múltiplo Comum.
Draft #1 [2018] - Lembro-me
Lembro-me daquelas ruas, daquelas passagens secretas que iam dar apenas ao teu destino.
Lembro-me daquelas noites com as estrelas no topo, e as brincadeiras de criança.
Lembro-me daqueles dias afastados, e das lágrimas a cair pelos olhos, sem o abraço e o perfume.
Lembro-me do perfume no elevador, e nos meus lábios, e no (...).
Lembro-me do perfume quando passam com ele por mim e reconheço-o.
Lembro-me quando disse que esperaria como Portugal espera por D. Sebastião.
Lembro-me de esperar alguns anos e perceber que não ias voltar.
Lembro-me das noites de frio, e de transformarmos tudo em calor.
Lembro-me dos sonhos e conversas filosóficas durante a noite.
Lembro-me do silêncio e do calor no corpo.
Lembro-me de descobrir o que gostas, o que não gostas, o que dizias que gostavas e o que deixaste de gostar.
Lembro-me de acordar a meio da noite, e lembro-me de te deixar dormir.
Lembro-me da mão na mão, do esconder a vergonha, e do último toque.
Lembro-me das questões, dúvidas, vai e não vai, muralhas.
Lembro-me de correr para a porta para te receber, e lembro-me de deixar de te ir abrir a porta, até deixar de te receber.
Lembro-me de não chorar.
Lembro-me de chorar durante dias.
Lembro-me do fim.
Lembro-me disto tudo, e muito mais, mas já não me lembro de ti.
Apenas... lembro-me.
Lembro-me daquelas noites com as estrelas no topo, e as brincadeiras de criança.
Lembro-me daqueles dias afastados, e das lágrimas a cair pelos olhos, sem o abraço e o perfume.
Lembro-me do perfume no elevador, e nos meus lábios, e no (...).
Lembro-me do perfume quando passam com ele por mim e reconheço-o.
Lembro-me quando disse que esperaria como Portugal espera por D. Sebastião.
Lembro-me de esperar alguns anos e perceber que não ias voltar.
Lembro-me das noites de frio, e de transformarmos tudo em calor.
Lembro-me dos sonhos e conversas filosóficas durante a noite.
Lembro-me do silêncio e do calor no corpo.
Lembro-me de descobrir o que gostas, o que não gostas, o que dizias que gostavas e o que deixaste de gostar.
Lembro-me de acordar a meio da noite, e lembro-me de te deixar dormir.
Lembro-me da mão na mão, do esconder a vergonha, e do último toque.
Lembro-me das questões, dúvidas, vai e não vai, muralhas.
Lembro-me de correr para a porta para te receber, e lembro-me de deixar de te ir abrir a porta, até deixar de te receber.
Lembro-me de não chorar.
Lembro-me de chorar durante dias.
Lembro-me do fim.
Lembro-me disto tudo, e muito mais, mas já não me lembro de ti.
Apenas... lembro-me.
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Draft #4 (2020) - Vacina
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